quarta-feira, 4 de novembro de 2009

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Escrito Fechado à Vó

Aos cabelos brancos de mechas simétricas e aos poucos pretos e dipostos em sua cabeça, o consentimento de minha visita, na portaria do hospital. Minha identidade deixada no balcão pelo crachá em troca, quarto 322.
Lugar em tom de branco refletido em azul pelos meus olhos à distância ao longo do corredor.
O ar é seco e, num dos corredores, no meu percurso até o seu quarto, havia enfileiradas e rente à parede, bruscamente branca, macas que, quando passei por elas com os olhos entreabertos de quem não os "pregou" na noite anterior, convidaram-me inóspita para um repouso ao meu cansaço. As macas, ao meu evidente estar zonzo, multiplicavam-se em quantidade infinita, até a curva, para o próximo corredor. Segui em direção ao quarto.
O horário de visita é cronometrado por mim, marcado no meu relógio de pulso analógico 57 minutos e restantes. Três minutos se passaram em procura de encontrar o número da porta em que ela estava.
Quando encontrei a sua porta e cheguei ao encontro, o encontro era comigo; Lembrei da minha infância e de poucos reflexos dela me segurando enquanto empurrava uma motoca vermelha que eu tinha. São poucos os flashes porque ela, desde que eu me conheço por gente, viveu em cidade do interior, próximo à Chapada da Diamantina. Me recordo de algumas bem poucas visitas que fiz a ela. Ela quem vinha mais.
Os cabelos, sempre grisalhos em minha memória, e a pele absurdamente macia me vestia as mãos em tecido de seda quando punha as suas sobre as minhas, no guidão da motoca, me impulsionava para a frente. O sol era típico de início de verão, quente e de vento fresco.
Minhas mãos apoiadas no áspero proposital do plástico para não escorregar o meu guiar do brinquedo. E o esforço se fez em andar, na época, o meu automóvel.
Suas mãos claras e delicadas me revestiam geladas de água de cachoeira, no verão. Me refrescavam o peito da mão e os dedos de um punho fechado e suado, enquanto eu pedalava.
Na mão esquerda, próximo ao coração, encaixada no dedo dela a aliança cor de ouro e amarelada pelo tempo. O respeito permanente da lembrança de quem se foi. O seu metal gelado era agradável ao enconstar a sua palma esquerda no meu, também, esquerdo peito da mão.
O calor sobre nós, sua mão sobre a minha.

(Cheguei ao quarto. A rosa em minham mãos é a vermelha. Ao pré-aviso, bati três vezes na porta e entrei.)
Vó?
Como tem passado nesse lugar?

(Sua fala eternamente serena, cativador é de ouvir. Sorri. )
Minha filha, bom não é! Mas se tem que ser.

- Tão te tratando bem?
- Como tratam um doente, não é? Eu estou bem.
- Trouxe suco natural! Como anda a diabetes, o médico disse?
- Veja o controle dessa semana, está bem aqui, anotado na ficha, ao pé da cama.
(Ariana como eu e mesmo decanato.)

Peguei o papel sobreposto na medeira, havia melhorado.
- Ela me lançou um olhar e sorriu.

Sentei ao seu lado, acarinhei as suas mãos nos durante 57 minutos.

Antes de sair mergulhei o caule da rosa num recipiente com água, deixei no criado mudo, do lado da cama e disse: Até a próxima visita, te espero.

domingo, 1 de novembro de 2009

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Pergunte ao João

João,
sinto a
sua amplidão
de rio
na prosa

minha
helvética,
savana
de Ana
em reclames
plin-plin, "te vi na tevê!".

A calma
da confusão,
meu chão
fixo, o solto
no ar:

pura dedicação,
do não cair da ação.

Cação, o peixe
da canção
escrita,
restrita
às bolhas
de respiro
no mar.

Desvio De uma Pessoa Só: Prontamente

re li
sorri, um aceno
deitei,
nas estrebarias
tratei.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Burla a Esmo, Como o Seu: Bür

Ouvi a gargalhada radicada na coluna vertebral, unicamente, pra o dedilhar das cordas largas, as vocais. Meu contrabaixo acústico se fez rústico, madeira toc-toc: Passei.., os olhos pra o tamanho do esforço em te aprender; a tirar, com a unha. Me deu gastura! O lamber não há! Ah, vá, entre os versos, ventre, vente o toque-toque, me-fará. Brotará da sua carne, viva verde-rosada, carnívora da mais cor, VIVA!, duvida, que não ouvirá. ah! me transbordo nessa genealogia beatnik. Me lembra o nome, meu - o seu nome, nick. - Tôda eu, me assumo, fruto é sumo e, digo, do quanto ódio lhe é; prematuro, verdinha era a minha saia-de-ida. O seu tempo todo trabalhado para a sua língua, santo deos, da terra. Dêle.
É como dizer ao cachorro: "fica-de-guarda.! mas não lata!" Se não indago- rio, será líqüido, êsse maciço de nhe nhe nhem.
E, durante a noite inteirinha, tudo já já lhe vinha tão quente que, em suas mãos, de calejadas, não lavadas das lavas escorridas da cratera, se fazia na maior, em língua surda, não vê. Não vê, não. Vos digo. É sumiço! Ou.
Espera o homem da bicicleta pra o jogar do papel letrinhado. E êle o lambe todinho, as pernas. O dono e o papel, à entrega, na porta.
Não vê letra nenhuma, encega em semelhante desconjuntura, parece tão nula. Vai, me mira, não atira! Me sangra em lambe-lambe e segura, não pula!
Eu te acaricio a vulva assim quem me comprar o pão-de-amanhã: o doce mais embalajoso. Quando é que vai aprender, Zézé erê!!
Sujeitinho mais bem comportado, vai todo surrado se surrar mais ao abrir a notícia, há quem o diga: "O Noticiário: em intensão de formação de exército, recruta os mais dos andarilhos, quem se habilita? Pago a Birita!" Ele Grita! Na rua. De casa. Em casa.
Deixa esses homens chegarem dos seus, sem-simula. Mamãe dele dizia em andarilhos, bem assim encravada, quando ria, quando, novamente, dizia. E, esses, meu filho, hão aos caldos por aí. Não morra de rir, primeiro. Cítara, viu aqui. Incita! Se senta nessa cama de lençóis amarelados no quarto ato. Vem à hora do ato. E, a última, há de lavá-los até fincarem; branquinhos, te digo, inhos inhos mas de tão, que a cor-avermelhada do ventre sertão, resultado de combustão no chão. - Vamos pisar? Queimarão em desalinho de vai-pra-lá, a vermelhidão, o alçapão de grandes lábios meus, que desceu ao Deus. Entrelaça fio a fio dessa roupa-de-cama, eu deito, me cubro e só. Olho olho a olho, antes de a dormida, vô em ida. Êle me vê só-rir.
Para que não atire contra o próprio, o pé que lhe passeou sobre a pedra da cor e não roubou um fio de cabelo, se quer. O que podia ser se estava profunda, a mente, entediosa, sem aspirações. Respirações. Pirações vazias naquela privada encardida. Res-fiz, não resfriei, por pouco. Meu guia. Vigia a vigília sua do "Exceder-se!" se for pra seguir, me abra a garrafa. Espumo espumante ao redor da boca e serro os dentes assim.. Mordo-me. Resvalo todo um mar sem possilgas. Possibilidades desse fundo à mundo. Meu fumo. Ao fundo.

Dou jeito nisso só, de há-vento-vulcânico, é tântrico. Tão fundo e me faço perder no centro da terra, de novo, o novo, o ovo, revoada de patos, vem-vinha, em atos.